Maca peruana: para que serve, benefícios, como tomar e o que diz a ciência

Maca peruana: para que serve, benefícios, como tomar e o que diz a ciência - Bigens

maca peruana é uma raiz originária dos Andes, conhecida cientificamente como Lepidium meyenii. Tradicionalmente consumida na região dos Andes, a planta passou a ganhar popularidade em diferentes países, inclusive no Brasil, principalmente por sua associação com energia, libido, desempenho sexual e saúde reprodutiva.

Mas, afinal, maca peruana funciona? Para que serve a maca peruana? Ela aumenta a libido? Melhora a fertilidade? Aumenta a testosterona?

Apesar da popularidade do ingrediente, é importante separar o que é tradicionalmente atribuído à maca do que já foi observado em estudos científicos.

As evidências disponíveis são promissoras para alguns aspectos, mas ainda apresentam limitações e não permitem atribuir à maca peruana todos os benefícios que aparecem em propagandas e redes sociais.

O que é maca peruana?

A maca peruana (Lepidium meyenii Walp.) é uma planta pertencente à família Brassicaceae, a mesma família botânica de vegetais como brócolis, couve e repolho.

A espécie é nativa dos Andes centrais do Peru, onde seus tubérculos são consumidos tradicionalmente há séculos. No Brasil, ela também passou a ser comercializada com os nomes maca e maca peruana.

Um trabalho desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) destaca que o interesse pela planta ultrapassou as fronteiras do Peru e aumentou internacionalmente a partir da década de 1990.

A mesma revisão ressalta, entretanto, que ainda existem lacunas sobre seus mecanismos de ação, dose efetiva e segurança.

A maca pode ser encontrada em diferentes variedades, que apresentam diferenças principalmente na coloração da raiz. Entre as mais conhecidas estão as variedades amarela, vermelha e preta.

Para que serve a maca peruana?

A pergunta “maca peruana para que serve?” está entre as principais dúvidas relacionadas ao ingrediente.

Tradicionalmente, a maca é associada à disposição, vitalidade, libido e saúde reprodutiva. A literatura científica também investigou possíveis efeitos da planta sobre função sexual, sintomas relacionados à menopausa e alguns parâmetros relacionados à saúde masculina.

No entanto, isso não significa que todos esses efeitos estejam comprovados.

Uma revisão sistemática publicada na BMC Complementary Medicine and Therapies avaliou ensaios clínicos sobre maca e função sexual.

Os pesquisadores encontraram alguns resultados favoráveis, mas concluíram que o número de estudos, o tamanho das amostras e a qualidade metodológica eram insuficientes para estabelecer conclusões definitivas.

Por isso, é mais adequado dizer que a maca peruana é estudada por seu possível papel sobre determinados aspectos da função sexual e do bem-estar, em vez de afirmar que ela trata disfunções ou doenças.

Quais são os benefícios da maca peruana?

Os possíveis benefícios da maca peruana são um dos assuntos que mais despertam interesse. Entre os efeitos investigados pela ciência estão:

  • libido e desejo sexual;

  • função sexual;

  • sintomas associados à menopausa;

  • percepção de energia e disposição;

  • alguns aspectos relacionados à saúde reprodutiva.

É importante, porém, diferenciar resultados observados em estudos específicos de benefícios comprovados para toda a população.

Maca peruana aumenta a libido?

Essa é provavelmente uma das dúvidas mais comuns sobre o ingrediente.

Alguns estudos clínicos encontraram resultados favoráveis sobre desejo sexual após o consumo de maca.

Um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo realizado com homens adultos avaliou diferentes doses de maca gelatinizada durante 12 semanas e observou aumento na percepção de desejo sexual, sem relação direta com alterações nos níveis séricos de testosterona.

Uma revisão sistemática sobre maca e função sexual também encontrou resultados positivos em alguns dos estudos analisados.

Porém, os autores consideraram que as evidências ainda eram limitadas devido ao pequeno número de ensaios clínicos disponíveis e às limitações metodológicas.

Portanto, a resposta mais adequada é: a maca peruana pode ter efeito sobre a libido em algumas pessoas, mas as evidências ainda não são suficientes para afirmar que ela aumenta o desejo sexual de forma garantida.

Maca peruana aumenta a testosterona?

Essa é outra associação bastante comum.

Até o momento, não é correto afirmar que a maca peruana aumenta a testosterona de maneira comprovada.

Um dos estudos realizados com homens saudáveis investigou justamente a relação entre o consumo de maca, desejo sexual e níveis de testosterona.

Embora tenha sido observada melhora no desejo sexual, não houve uma relação correspondente com aumento da testosterona sérica.

Isso é importante porque a melhora da libido e o aumento da testosterona não são necessariamente a mesma coisa.

Portanto, a maca não deve ser apresentada como um estimulante hormonal ou como substituta de tratamentos destinados à deficiência de testosterona.

Maca peruana melhora a fertilidade?

A relação entre maca peruana e fertilidade também é bastante pesquisada.

A planta tem uso tradicional associado à reprodução, e estudos experimentais e clínicos investigaram possíveis efeitos sobre parâmetros reprodutivos.

Entretanto, ainda não existe evidência clínica suficiente para afirmar que a maca trata infertilidade masculina ou feminina.

A própria Anvisa já suspendeu publicidade de produtos de maca peruana que apresentavam alegações relacionadas à fertilidade, libido e fadiga sem comprovação adequada.

Assim, quem está tentando engravidar não deve utilizar maca peruana como substituta de uma investigação médica sobre fertilidade.

Maca peruana ajuda na menopausa?

A possível relação entre maca peruana e menopausa também foi investigada em estudos clínicos.

Uma revisão sistemática analisou quatro ensaios clínicos randomizados envolvendo mulheres na perimenopausa e pós-menopausa.

Os estudos apresentaram resultados favoráveis em algumas medidas de sintomas do climatério, mas os autores ressaltaram que havia poucos estudos, amostras pequenas e limitações metodológicas, além de não haver evidências suficientes para estabelecer conclusões definitivas sobre eficácia e segurança.

Um pequeno estudo clínico com mulheres pós-menopáusicas também encontrou redução em algumas medidas de sintomas psicológicos e disfunção sexual após o consumo de maca.

Entretanto, o estudo contou com apenas 14 participantes, o que limita a possibilidade de generalizar os resultados.

Por isso, a maca peruana não deve ser considerada um tratamento para menopausa, embora seja um ingrediente estudado nesse contexto.

Maca peruana dá energia?

A ideia de que a maca peruana “dá energia” é bastante difundida, especialmente em produtos comercializados para pessoas fisicamente ativas.

A planta é tradicionalmente consumida como alimento nos Andes, e diferentes estudos investigaram seus efeitos sobre disposição, desempenho e bem-estar.

Entretanto, os resultados científicos não são suficientes para afirmar que a maca funciona como um estimulante ou que aumenta a energia de maneira comparável à cafeína, por exemplo.

Além disso, sentir mais disposição não necessariamente significa aumentar o metabolismo ou produzir mais energia celular.

Por isso, o termo “energia” precisa ser interpretado com cuidado quando aparece associado à maca peruana.

Maca peruana emagrece?

Não há evidências clínicas suficientes para afirmar que a maca peruana emagrece.

Apesar de aparecer em alguns produtos voltados ao controle de peso, a maca não deve ser considerada um ingrediente termogênico ou um suplemento para emagrecimento sem evidências específicas que sustentem essa finalidade.

A perda de peso depende principalmente da relação entre ingestão e gasto energético, além de fatores como alimentação, atividade física, sono, composição corporal e condições de saúde.

Maca peruana é afrodisíaca?

A maca é frequentemente chamada de “afrodisíaco natural”, principalmente por sua associação tradicional com desejo sexual.

A literatura científica investigou essa hipótese e encontrou alguns resultados positivos relacionados à função sexual. Porém, as revisões disponíveis destacam que a quantidade e a qualidade das evidências ainda são insuficientes para estabelecer uma conclusão definitiva.

Por isso, “afrodisíaco” pode ser entendido como uma descrição tradicional ou popular, mas não deve ser confundido com uma propriedade terapêutica comprovada.

Maca peruana altera os hormônios?

Outra dúvida frequente é se a maca interfere diretamente nos hormônios sexuais.

Até o momento, os estudos não sustentam a ideia de que a maca simplesmente funcione como um hormônio vegetal ou que aumente diretamente testosterona ou estrogênio.

Em um estudo com mulheres pós-menopáusicas, por exemplo, o consumo de maca não provocou diferenças significativas nos níveis de estradiol, FSH, LH ou SHBG quando comparado ao placebo.

Isso reforça a necessidade de cuidado com afirmações como “maca regula os hormônios” ou “maca aumenta os hormônios sexuais”.

Como tomar maca peruana?

A forma de consumo depende da apresentação do produto, concentração e orientação indicada no rótulo.

A maca pode ser encontrada em pó, cápsulas e extratos, mas essas formas não são necessariamente equivalentes. Um produto com extrato concentrado, por exemplo, não deve ser comparado diretamente a uma determinada quantidade de pó da raiz.

Também não existe uma única dose universal estabelecida para todos os objetivos.

Em estudos clínicos, foram utilizadas diferentes preparações e quantidades de maca. Uma revisão recente sobre maca e saúde sexual observa que muitos estudos em humanos utilizaram aproximadamente 3 g por dia de maca em pó ou preparação equivalente, mas isso não significa que essa quantidade seja uma recomendação universal de consumo.

Para suplementos alimentares, é fundamental seguir as orientações do fabricante e as informações presentes no rótulo.

A Anvisa determina que suplementos alimentares apresentem informações como modo de uso, advertências, restrições de uso, composição e alegações autorizadas.

Qual o melhor horário para tomar maca peruana?

Não existe evidência científica suficiente para estabelecer um “melhor horário” universal para tomar maca peruana.

A escolha pode depender da forma de apresentação, quantidade recomendada e tolerância individual.

Em vez de buscar um horário específico, o mais importante é seguir a recomendação de uso do produto e manter uma rotina consistente.

Maca peruana pode ser consumida todos os dias?

A resposta depende da forma de apresentação, concentração, quantidade utilizada e condições individuais de saúde.

Estudos clínicos utilizaram o ingrediente durante algumas semanas, mas isso não significa que todos os produtos ou doses tenham o mesmo perfil de segurança para uso prolongado.

Uma revisão brasileira sobre Lepidium meyenii publicada pela USP destaca justamente a necessidade de ampliar o conhecimento sobre dose efetiva e segurança da planta.

Por isso, o uso contínuo deve respeitar a recomendação do produto e, em situações específicas, contar com orientação de um profissional de saúde.

Maca peruana tem efeitos colaterais?

Ainda são necessários mais estudos para estabelecer completamente o perfil de segurança da maca em diferentes populações e períodos de uso.

Também é importante entender que “natural” não significa automaticamente “sem riscos”.

Pessoas que fazem uso de medicamentos, estão grávidas ou amamentando, possuem condições de saúde específicas ou estão realizando tratamento hormonal devem conversar com um profissional de saúde antes de utilizar suplementos ou produtos concentrados à base de plantas.

Além disso, é fundamental verificar a procedência do produto.

No Brasil, a Anvisa já identificou produtos comercializados como maca peruana que apresentavam irregularidades sanitárias.

Em uma fiscalização, por exemplo, a Agência apontou produto contendo maca peruana como constituinte não autorizado para suplementos alimentares naquele contexto.

Maca peruana é segura?

A segurança da maca precisa ser analisada considerando a preparação utilizada, a quantidade consumida e a população que fará uso do produto.

Os estudos clínicos disponíveis não indicam que a maca seja necessariamente perigosa quando utilizada nas condições estudadas, mas as evidências ainda são insuficientes para afirmar segurança absoluta em todas as situações.

Esse é um ponto importante porque a popularização da maca fez com que diferentes produtos fossem comercializados com concentrações e composições variadas.

Por isso, escolher produtos de procedência conhecida, com rotulagem adequada e comercialização regular é fundamental.

Maca peruana preta, vermelha ou amarela: qual a diferença?

A maca pode apresentar diferentes colorações, principalmente amarela, vermelha e preta.

Essas variedades podem apresentar diferenças na composição química e vêm sendo estudadas para diferentes finalidades.

Entretanto, não é possível afirmar de maneira geral que uma variedade seja “a melhor” para libido, testosterona, fertilidade ou energia.

A escolha deve considerar a composição e a padronização do produto, e não apenas a cor da maca.

Também é importante não confundir diferenças entre variedades com comprovação de efeitos específicos para cada uma. A literatura científica ainda precisa de estudos mais robustos para estabelecer essas relações.

Maca peruana funciona mesmo?

Essa talvez seja a principal pergunta sobre o ingrediente.

A resposta mais honesta é: existem estudos que indicam possíveis efeitos da maca, principalmente relacionados à função sexual e ao desejo sexual, mas as evidências ainda não são fortes o suficiente para confirmar todas as promessas feitas sobre o ingrediente.

Uma revisão sistemática sobre função sexual classificou as evidências como limitadas devido ao número reduzido de ensaios e às limitações metodológicas.

Da mesma forma, uma revisão sobre sintomas da menopausa encontrou resultados favoráveis em alguns estudos, mas também concluiu que eram necessários estudos maiores e mais rigorosos.

Uma revisão brasileira publicada pela USP chega a uma conclusão semelhante ao apontar que a maca apresenta potencial, mas que ainda são necessários estudos para esclarecer seus mecanismos de ação, dose efetiva e segurança.

Ou seja: a maca peruana é um ingrediente promissor e bastante estudado, mas não é correto tratá-la como uma solução comprovada para libido, fertilidade, testosterona, menopausa ou disfunção sexual.

O que a Anvisa diz sobre a maca peruana?

Esse é um ponto especialmente importante para quem pesquisa maca peruana no Brasil.

A Anvisa já suspendeu publicidades que atribuíam à maca peruana propriedades terapêuticas não comprovadas, incluindo alegações relacionadas à libido, fertilidade e fadiga.

A Agência também destaca que alegações de benefícios em suplementos alimentares precisam estar de acordo com as regras sanitárias e com as alegações autorizadas.

Em 2025, a Anvisa ainda proibiu produtos de diferentes marcas que incluíam maca peruana entre os produtos irregulares identificados em uma ação de fiscalização.

Isso mostra que, além de pesquisar “maca peruana benefícios”, o consumidor deve prestar atenção à origem, rotulagem e regularidade do produto.

Maca peruana: o que realmente podemos concluir?

A maca peruana (Lepidium meyenii) é uma planta tradicional dos Andes que ganhou espaço no mercado de suplementos e despertou interesse científico principalmente por possíveis efeitos relacionados à função sexual, libido e sintomas associados à menopausa.

Os estudos disponíveis apresentam resultados interessantes, mas ainda possuem limitações. Portanto, é importante evitar afirmações absolutas como:

  • “maca peruana aumenta a testosterona”;

  • “maca peruana cura impotência”;

  • “maca peruana aumenta a fertilidade”;

  • “maca peruana regula os hormônios”;

  • “maca peruana emagrece”.

Até o momento, essas afirmações não possuem respaldo científico suficiente para serem tratadas como benefícios garantidos.

O melhor caminho é olhar para a maca peruana com base no conjunto das evidências disponíveis: um ingrediente tradicional, objeto de pesquisa científica e com resultados promissores em algumas áreas, mas que ainda precisa de estudos clínicos maiores e mais robustos para esclarecer seus efeitos, doses e segurança.

Referências

ALVES, A. C. Maca peruana (Lepidium meyenii Walp.): panorama atual. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo (USP).

DOKKEDAL-SILVA, V.; MORELHÃO, P. K.; ANDERSEN, M. L.; TUFIK, S. The increasing popularity of Peruvian maca (Lepidium meyenii) and its potential impacts on sleep and quality of life. Clinics, 2024. Estudo publicado por pesquisadores vinculados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Propagandas irregulares de Maca Peruana são suspensas. Ministério da Saúde, Brasil.

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ingredientes autorizados para uso em suplementos alimentares. Ministério da Saúde, Brasil.

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Lembre-se de ler o rótulo com atenção. Ministério da Saúde, Brasil.

SHIN, B. C. et al. Maca (L. meyenii) for improving sexual function: a systematic review. BMC Complementary Medicine and Therapies, 2010.

LEE, M. S. et al. Maca (Lepidium meyenii) for treatment of menopausal symptoms: a systematic review. Maturitas, 2011.

BROOKS, N. A. et al. Beneficial effects of Lepidium meyenii (Maca) on psychological symptoms and measures of sexual dysfunction in postmenopausal women are not related to estrogen or androgen content. Menopause, 2008.

GONZALES, G. F. et al. Effect of Lepidium meyenii (Maca) on sexual desire and its absent relationship with serum testosterone levels in adult healthy men. Andrologia, 2002.

Escrito por: Pedro Ferrão

Nutricionista Clínico | CRN 3 88410

Nutricionista com atuação voltada à saúde, bem-estar e suplementação, com foco em orientação baseada em ciência e educação nutricional.

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